DESPRENDIMENTO DOS BENS TERRENOS

O Evangelho Segundo o Espiritismo  |  Servir a Deus e a Mamom   |  Capitulo XVI   |  09/06/2014

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: DESPRENDIMENTO DOS BENS TERRENOS – ITENS 14 E 15

157 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – ALLAN KARDEC
CAPÍTULO XVI: SERVIR A DEUS E A MAMON

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: DESPRENDIMENTO DOS BENS TERRENOS ITENS 14 E 15

Assina esta mensagem Lacordaire, cujos dados biográficos se encontram no estudo nº 44.

 Com a humildade já expressada em mensagem anterior, assim ele inicia: “Venho, meus irmãos, meus amigos, trazer-vos meu humilde auxílio, para ajudar-vos a marchar corajosamente na via de aperfeiçoamento em que entraste. Somos devedores uns dos outros, e somente por uma união sincera e fraternal entre os Espíritos e os encarnados, a regeneração será possível.”

Essa união sincera e fraternal a que ele se refere, também, é necessária existir entre os homens, para que a vida na Terra se torne cada vez mais produtiva e prazerosa para seus habitantes. União de propósitos no bem, através do bem, o mais possível.

Para isso é preciso que ela seja cultivada nos lares, nos locais de trabalho, de lazer, nas associações que se propõem a promover o ser humano partindo das mentes e dos corações dos homens.

 Afirma Lacordaire que o apego dos homens aos bens terrenos é um dos mais fortes obstáculos ao seu adiantamento espiritual, dificultando o desenvolvimento das faculdades afetivas e morais, nos diversos relacionamentos humanos, iludindo os que pensam nesses bens, encontrar a felicidade, quando a verdadeira é um estado de espírito, que depende de como se reage às situações externas, da qualidade dos sentimentos, emoções e raciocínios despertados  nessas reações.

Lembra também ser uma reação normal, a satisfação sentida por alguém que conquista bens materiais, à custa de um trabalho constante e honrado, mas que essa satisfação não deve se transformar em um apego que lhe absorva os demais sentimentos, paralisando-lhe os impulsos do coração.

Põe na mesma situação, os que usam desses bens na prodigalidade exagerada, isto é, que gastam excessiva e irrefletidamente, afirmando que quem desperdiça seus bens não dá provas de desprendimento dos bens terrenos, mas sim, indiferença aos próprios valores da vida, no bem a tantos outros que esses bens poderiam proporcionar. De certa forma, estão satisfazendo a si próprios, numa forma de egoísmo que os impede de bem usar seus haveres, sejam quais forem os demais motivos que os impelem a assim agir.

Lembra que, geralmente, o que se fez rico, à custa de muito trabalho, costuma dizer que sabe o quanto custou esses bens. Justamente, por isso, diz o autor, deve ele investir em favor de outros, segundo suas posses, porque conhecendo, por ele mesmo, as dores ocultas da miséria, tem mais condições de combatê-la do que o que foi criado na abundância.

Escreve como muitos ricos procuram justificar-se, considerando virtude o que não passa de egoísmo, como afirmando agir com previdência e economia o que é apenas cupidez e avareza, ou generosidade o que não passa de prodigalidade inconsequente.

Cita o pai de família que acumula bens, dizendo que é para seus filhos, quando, está, geralmente, procurando enganar-se a si próprio, em relação ao seu apego aos bens.

Por outro lado, considerando a sinceridade desse objetivo, o autor chama a atenção sobre a lição de egoísmo que esses pais dão aos filhos, endurecendo-lhes os corações ao amor ao próximo, ensinando-os a serem egoístas, inclusive para com os próprios pais.

Ao permitir a posse de riquezas, entre a avareza e a prodigalidade exagerada, “Deus colocou a caridade, santa e salutar virtude, que ensina o rico a dar sem ostentação, para que o pobre receba sem humilhação.”

 Cabe citar aqui a frase de Jesus: “Também vos digo: granjeai amigos com as riquezas da injustiça, para que quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos” Lucas, 16:9)

Nessa frase, Jesus, conhecendo a imperfeição dos homens, seu passado e presente, recomenda que se deve aproveitar os bens terrenos ao alcance das mãos, mesmo os conquistados através de atos injustos, moblilizando-os na fraternidade legítima, no bem de maior número de pessoas, para que, os crimes e ódios  do passado próximo ou remoto sejam substituídos por sentimentos fraternos, tornando todos irmãos abnegados uns dos outros.*

Assim, através do bom emprego da riqueza, pouca ou muita, erros e injustiças, ódios e agressões de um passado, podem ser pagos, na atualidade, além de desenvolver o amor nas mentes e coração dos benfeitores de hoje, algozes de ontem.

Infelizmente, os bens terrenos, muitas vezes, estimulam também o orgulho, que já existe no homem, sentimento que abafa o desenvolvimento da humildade, da generosidade, da fraternidade, da solidariedade. Considerando-se superior aos demais, age como se não tivesse que prestar contas do uso que faz de todos os seus bens materiais e espirituais.

Ser desprendido dos bens terrenos é considerá-los no seu justo valor, como instrumentos que são do desenvolvimento espiritual do Espírito imortal. Servir-se deles para o bem de si, de sua família, e de todos que possam também se beneficiar desses bens, com a certeza de que se estará desenvolvendo os verdadeiros bens, que são os espirituais, aqueles que acompanham o Espírito, onde quer que ele se encontre.

Usá-los sem prender-se a eles, de forma que, se perdê-los, continuará sendo a mesma pessoa que era antes, lembrando de Paulo, o apóstolo, que disse, no fim de sua vida: “Sei viver na abastança e sei viver na penúria.” Proceder assim é ser sábio e bom.

Nem desprezo, nem valorização acima do que valem, mas vê-los como meios e não finalidades do viver na Terra.

Não dar tudo que se tem para tornar-se mendigos voluntários, tornando-se, então uma carga para a sociedade, o que seria uma outra forma de egoísmo, na fuga da responsabilidade que os bens terrenos dão a quem os possui. Nem usá-los apenas para seu próprio prazer, na satisfação das suas necessidades.

O rico tem uma missão, que é administrar sua riqueza em proveito de tantos quantos couberem nesse benefício.

“Aprendei a contentar-vos com um pouco. Se sois pobres, não invejais os ricos, porque a fortuna não é necessária à felicidade. Se, sois ricos, não vos esqueçais de que os vossos bens vos foram confiados, e que deveis justificar o seu emprego…”

Kardec pergunta: “O princípio segundo o qual o homem é apenas o depositário da fortuna de que Deus lhe permite gozar durante a vida, tira-lhe o direito de transmiti-la aos descendentes?”

São Luís responde: Não, pode fazê-lo, “porque a execução desse direito está sempre subordinado à vontade de Deus”, cujas leis agem sempre de acordo com as necessidades evolutivas do Espírito. Após o desencarne, nada mais da Terra lhe pertence.

Assim, se for melhor para seus descendentes, visando o processo evolutivo, ficar sem esses bens, eles os perderão, de alguma forma, por não precisarem da prova da riqueza, ou porque lhes serão mais proveitosas as experiências de pouco ou nada possuir, além do que possam conquistar em uma vida mais simples.

 Leda de Almeida Rezende Ebner

Bibliografia:
* – Emmanuel, Pão Nosso, psicografado por F. C. Xavier, FEB, 1950, cap CXII

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